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Eu pensava que o Bonde da História jamais passaria por aqui

É duro admitir, mas fracassamos, até aqui fracassamos. Chegamos a 2020 como campeões do analfabetismo e da concentração de renda, brasileiros fugindo para os paises desenvolvidos, terraplanistas, machistas, homofóbicos e racistas no poder – e todo ano um pibinho.

Mas por que fracassamos? Acho uma resposta no Mauricio Popija do jornal Plural (www.plural.jor.br) : “Há países que conseguiram pegar o bonde da história, outros que o perderam, e há o Brazíu, que conseguiu pegar, só que pro lado errado.”

Os bondes de Curitiba eram amarelos, limpos e pontuais. Andavam pra lá e pra cá, do Portão ao Bacacheri, da Tiradentes à Eufrásio Correia.

Verdade que nem todos viajavam sentados na hora do pique. Mas aquele bonde era um luxo comparado com o lotação apertado e perigoso. O chevrolezão gerava uma quantidade industrial de fumaça preta e fedida no trajeto entre a Vicente Machado e a caixa dágua do Alto da Rua 15.

De bom só as curvas sobre duas rodas. O motorista impetuoso desequilibrava a Dama do Lotação e ela vinha com aquele corpão cheiroso pra cima da gente.

Para acabar com o bonde, prometeram o metrô, que ia ligar o Capão Raso à Santa Candida, o Capão da Imbuia a Campo Comprido. Ao metrô estavam destinadas as canaletas do ônibus expresso inauguradas em 1972. A promessa saiu no jornal: primeiro os ônibus; depois, quando a capacidade dos ônibus chegasse ao limite, cavava-se a trincheira para o trem subterrâneo – uma flecha de rápido e silencioso.

Um dia uns espertos começaram a dizer que o metrô era um sonho impossível.

Naquele lamaçal? Inexistem condições técnicas para trabalhar no sistema cut and cover, como o método da trincheira é chamado. Um engenheiro garantiu que não dava. O terreno era ruim. Culpa dos rios que formam a bacia ido Iguaçu – o Uvu, o Cascatinha, o Barigui, o Belém, o Juvevê, o Ivo, o Agua Verde, e muitos mais encharcando a terra.

O povo ficou meio assim. Que conversa arrevesada essa do engenheiro, depois repetida por uns repórteres sabidos. Inexistem (desconfie de quem fala 🤑 inexistem) condições técnicas?  Fizeram o metrô de Paris na lama pura, não fizeram? E me explica o de Nova York, 400 quilômetros de tuneis naquela ilha que é só barro mole. Ele passa duas vezes por baixo do Rio Hudson e entra em Nova Jersey. Se dá para fazer lá, por que aqui não dá?

O engenheiro fez um ar de eu-te-desprezo. Como comparar o Hemisfério Sul com o Hemisfério Norte? É diferente. Lá sobra dinheiro.  E capacidade empreendedora. E inteligência emocional. Onde nasceu Einstein? E Thomas Edison? E James Watt? Lá. Por isso há liderança, resiliência, governança, just in time e essas bossas. Entendem? Só no Hemisfério Norte, e não excluo Pyongyang, a capital da Coreia do Norte, onde vive aquele gordinho e há um metrô lindo cheio de obras de arte. O mais fundo do mundo, a 110 metros de profundidade.

Absurdo? Não. Pyongyang está no Hamisfério Norte, 38 graus NORTE, entendeu? O gordinho é capaz de construir metrô profundo, missil atômico intercontinental, estação orbital (continua)

gghghghg

para encarar o Trump, chamar pro pau a Organização do Tratado do Atlântico Norte e depois pegar um trem de luxo e ir até a China e a Russia e visitar o Putin e o Xi Jinping. Porque no Hemisfério Norte todo mundo viaja de trem (veja a imagem) e estuda em período integral e qualquer criança de nove anos fala três línguas e te explica os fundamentos da teoria quântica como se fosse filho do Max Planck (*).

Aqui ao sul do Equador, na Curitiba sem um metro de trilho, saudosa do bonde amarelo, o desafio é mostrar que nem todo mundo é otário, puxa-saco ou dono dos ônibus.

 

(*) – Max Planck, cientista alemão, é considerado pai da teoria quântica. Durante a Segunda Guerra Mundial, Max Planck tentou convencer Hitler a dar liberdade aos cientistas judeus. O filho de Planck, Erwin, foi executado no dia 20 de julho de 1944, acusado de traição relacionada a um atentado para matar Hitler.

 

 

 

 

Posted on 3rd janeiro 2020 in Sem categoria  •  No comments yet

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