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Governo e política, crime e segurança, arte, escola, dinheiro e principalmente gente da cidade sem portas

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Tenho em mim todos os sonhos do mundo, disse o Nego Pessoa. Foi-se um grande escritor

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hjhjhjh Carlos Alberto Pessoa, vamos sentir falta dele.

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Sem o Nego Pessoa, quem vai me dizer o que ler?

Pego o Carlos Drummond de Andrade, obra completa, de 1964, editado pela Aguilar em papel bíblia. Era do Nego. Todo anotado, um pouco a lápis, um pouco com bic vermelha.

Cobicei, fizemos a troca pelo Garcia Lorca.

O tempo que passa preocupava o Drumond. “Sinto que o tempo sobre mim abate sua mão pesada. Rugas, dentes, calva…Uma aceitação maior de tudo, e o medo de novas descobertas.”

Na página 195, o Nego anotou em vermelho os versos da Cidade Prevista: “Irmãos, cantai esse mundo que não verei, mas virá um dia, dentro em mil anos, talvez mais…não tenho pressa.”

Agora ele foi, todos vamos daqui a pouco, com esperança de encontrar o país de riso e gloria que o Poeta cantava. Sem dor, sem febre, sem ouro.

Onde seja possível torcer pelo Coxa na arquibancada do Atlético.

Onde, como escreveu o Carlos Alberto Pessoa em “O velho e rude esporte bretão”, seja possível viver cento e quinze anos e escrever as obras completas de William Shakespeare.

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Posted on 14th agosto 2017 in Sem categoria  •  No comments yet
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A austeridade vai nos transformar numa Grécia

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greeceCharge do The Companion, revista mensal indiana. Lá também há preocupação com o modelo de austeridade receitado para os países do BRICS pelo FMI.

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O Brasil todo dia fica mais parecido com a Grécia. Não é por acaso. Ambos cumprem a agenda fiscal do Fundo Monetário Internacional para países em desenvolvimento.

Após a Câmara rejeitar a denuncia contra Temer, o assunto podia ser a recuperação econômica, a volta dos empregos, a reabilitação dos hospitais públicos.

Não é.

“Partidos da base pressionam Temer por cargos de infiéis em votação” diz a manchete da página política da Folha de S. Paulo. Vem aí a segunda denúncia de corrupção do MPF.

Ninguém discute recuperação econômica. É bobagem. A questão é ocupar secretarias e diretorias da administração pública – aquelas que hospedam os ordenadores de despesa.

Nova denúncia do Ministério Público Federa impõe nova negociação. O Centrão ficou mais caro e volúvel depois do baixo desempenho (só 264 votos a favor) do governo.

O ministro do Planejamento Dyogo Oliveira declara que o resultado na Câmara fortalece o governo para tocar a reforma da Previdência. Quem acredita em Dyogo Oliveira?

A maioria dos brasileiros, consultada pelo Ibope, VoxPopuli e Datafolha é contra Temer e rejeita as reformas. Empresários gostaram da trabalhista e agora chamam contadores para criar empresas paralelas onde depositarão a mão-de-obra terceirizada.

Paises como a Grécia, obrigada a engolir a pílula de austeridade, não sabem o que fazer com milhões de desempregados, subempregados, pensionistas com meia pensão e deterioração dos serviços públicos.

“Em nome de duras metas fiscais, gente que poderia sobreviver está morrendo”, disse ao Guardian Michalis Giannakos, o presidente da Federação Pan Helênica dos Empregados em Hospitais Públicos.

Alguma semelhança com as queixas de funcionários de postos de saúde do Brasil?

É o que dá trocar uma presidente honesta (e bastante incompetente) por um vice-presidente também bastante incompetente e acusado de crime.

O Efeito Orloff. Eu sou você amanhã.

Posted on 4th agosto 2017 in Sem categoria  •  No comments yet
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Pizza na Rambuteau

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Estou votando na pizza da Rambuteau para o título de melhor de Paris.

Não porque seja loucamente saborosa, crocante, feita com molho artesanal – mas por ser em conta. E feita na Rue Rambuteau.

Não há melhor pretexto para visitar essa rua cheia de lojas, consultórios, padarias, pequenos restaurante. Você caminha por ela de dia ou de noite sem ser assaltado, acredita?

Sai do Chatelet, atravessa o Marais, encaminha você para a Place de Vosges.

Foi aberta por Luis Felipe em 1838 para ser boulevard.

O rei cortou e alargou vielas, mas não era um urbanista como Haussmann, que viria 15 anos depois.

A rua hoje parece estreita, mas é cordial.

Posted on 1st agosto 2017 in Sem categoria  •  No comments yet
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Clochards

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A prefeitura de Paris, com ajuda de voluntários, mobiliza recursos para o lanche dos sem-teto, os clochards.

São chamados oficialmente SDF, sans domicile fixe.

Se estiver sem teto em Paris, você pode obter, na repartição competente, uma carteirinha de clochard. É a Carte nationale d’identité pour les personnes sans domicile fixe (SDF)

Há cerca de 30 mil na cidade, metade entre 30 e 49 anos.

38% são mulheres.

O número cresceu 84% num período de 11 anos.

Sanduiches, café com leite e maçãs são distribuidos aqui no 4eme arrondissement, ao lado da catedral de Notre Dame. Todos são atendidos. As filas são pequenas.

Pesquisa de 2009, divulgada no site www.theculturetrip.com, informa que 80% dos parisientes declaram-se solidarios com os homeless, inclusive com os imigrantes recentes.

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PS – Por algum motivo, as calças clochard voltaram à moda.

Por algum motivo, não há calças SDF.

Pergunta o site da revista Claudia: “Sabe aqueles dias em que você veste uma T-Shirt simples e ainda sente que falta alguma coisa para deixar o visual mais sofisticado? A clochard pode ser a solução dos seus problemas.

Está em http://claudia.abril.com.br/moda/tendencia-calcas-clochard/

Posted on 1st agosto 2017 in Sem categoria  •  No comments yet
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Tá na Tribuna: “Homem se acorrenta na Ponte Estaiada contra regulamentação do Uber e Cabify”

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gghghg O elo fraco é você.

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Nós, seres humanos, somos incríveis.

A gente aprende a somar, subtrair, multiplicar, dividir.

E não a comparar.

Reflita, cara:

Você chama um taxi para o Aeroporto, paga 75 reais.

Chama um Uber, a viagem fica por 30, no máximo 35.

Refletiu? Jogue fora a corrente.

O taxista é o elo mais fraco.

Refleta mais um pouco e responda:

Por que o dono de frota continua rindo?

Posted on 1st agosto 2017 in Sem categoria  •  No comments yet
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Vício mortal e global

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hhjhjh “Exportando a morte”. Foto David Levene. Arte: Guardian Design Team

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Um passo para cada lado e você continua no meio. Assim faz a Folha de S. Paulo na questão do fumo. Em editorial de 27/07/2017 sobre o próximo julgamento do Supremo Tribunal Federal, que pode proibir a fabricação de cigarros mentolados no Brasil, disse o que se segue:

“A Anvisa, contudo, parece dar um passo temerário ao deliberar sobre o sabor dos cigarros. Não se cogita, por exemplo, forçar fabricantes a produzir vinhos e cervejas menos agradáveis ao paladar, embora o uso abusivo do álcool também cause enorme dano social.”

Desconfie, amigo, de qualquer argumento que comece com “contudo”.

E desconfie ainda mais das más analogias. Permitir que fabricantes coloquem no mercado cigarros com sabor que criança gosta não é a mesma coisa que obrigar fabricantes a produzir vinhos e cervejas desagradáveis ao paladar.

Permitir é permitir; obrigar é obrigar.

Agora mesmo o Guardian está publicando a série sobre a guerra suja da indústria do cigarro para dominar os mercados da Africa através de ameaças, processos e bullying.

Conta a repórter Sarah Boseley que, no Kenia, advogados da British American Tobacco entraram com um pedido na mais alta corte de justiça para declare nulo o pacote anti-fumo e a elevação do imposto sobre o cigarro.

As leis seriam anticonstitucionais, argumentam os advogados da BAT, o mesmo que alegam em Uganda, onde o governo aprovou uma Lei de Controle do Tabaco.

Em Uganda, Namibia, Togo, Gabão, República Democrática do Congo, Etiopia e Burkina Faso, as cigarreiras ameaçam recorrer aos tribunais internacionais. O governo estaria violando as regras do comércio internacional ao obrigá-las a estampar nos maços de cigarro advertência sobre os perigos do fumo.

Claro que no congresso de cada um desses países há uma bancada do fumo. Exatamente no Brasil. Felizmente criamos uma consciência nacional sobre a relação maligna entre cigarro e doenças como câncer de pulmão, enfisema e as cardiopatias.

Posted on 28th julho 2017 in Sem categoria  •  No comments yet
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O DIA EM QUE CHURCHILL INVENTOU A ‘VITORIA MORAL’

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~~çll A solidariedade dos ingleses

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(Dunquerque está em praticamente todos os cinemas. A tela do Patio é a melhor. Reserve no fim de semana.)

A retirada de Dunquerque foi uma extraordinária operação militar. E de propaganda. Assistir ao filme é indispensável para quem se interessa por filmes de guerra e por marketing político.

A história começa com um fracasso estratégico, a Linha Maginot, construída entre a França e a Alemanha para evitar a invasão dos exércitos de Hitler mostrou-se inútil. As tropas alemãs contornaram a Linha pela Holanda e acabaram com a ilusão de que seria outra guerra de trincheiras como a de 1914-18.

400 mil soldados do exército francês e das forças expedicionárias inglesas ficaram encurralados na região de Dunquerque. Do alto, a Luftwaffe bombardeava os navios e metralhava soldados que esperavam na praia. Do mar, submarinos lançavam torpedos. De terra, a artilharia devastava tudo. Uma carnificina.

Faltava transporte. A evacuação em massa deu-se com ajuda de grande número de pequenos iates, dingues, rebocadores, operados por civis. Durante vários dias eles atravessaram o Canal e resgataram militares. Winston Churchill forjou a expressão “espírito de Dunquerque” para se referir à solidariedade do povo inglês na crise.

Uma gigantesca derrota (70 mil mortos, 330 mil resgatados) transformou-se na “vitória moral” que mobilizou a Inglaterra até a vitória de 1945. Se a operação não desse certo a capitulação seria a única saida.

O filme de Christopher Nolan que entrou em cartaz ontem não foi feito para exaltar a batalha, mas o “espírito de Dunquerque”.Ele é oportuno. Os ingleses enfrentarem outro fracasso estratégico – a convocação do plebiscito que resultou no Brexit, certamente o maior erro cometido pelo governo conservador após a segunda guerra mundial.

Filmado em 70mm (como “O Mestre” e “Os Oito Odiados”), custou cerca de 150 milhões de dólares, o que é barato considerando os milhares de extras que aparecem nas cenas de batalha, a restauração de aviões Spitfires, Stukas, Messerschmitts e destroiers que voam e navegam com a agilidade De 1940.

O casting ficou fácil porque os soldados de Dunquerque eram dolorosamente jovens. Veteranos como Mark Rylance (comandante de um iate de passeio) e Kenneth Branagh, o coronel Bolson, que comandou a operação na praia são os atores mais conhecidos. Por que não há atrizes? Documentos confirmam que as últimas a deixar Dunquerque foram as operadoras de rádio e telegrafia, mulheres cujo soldo era 2/3 dos soldados.

As imagens inesquecíveis: iates e dingues de civis enfrentando o mar agitado para chegar ao outro lado do Canal; o comandante que não embarca, porque ainda há soldados a resgatar; e o Spitfire heroico que derruba vários aviões inimigos, fica sem combustível e consegue, graças a habilidade do piloto, aterrissar na praia.

Um soft landing, como otimistas esperam que ocorra ao final do Brexit.

Atenção para a trilha sonora de Hans Zimmer, também candidato ao Oscar.

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PS – Informação meio inútil. Christopher Nolan teve a ideia quando passeava de iate pelo Canal da Mancha em 1992, com sua então namorada Emma Thomas. Emma hoje é esposa de Nolan e produtora do filme.

Posted on 28th julho 2017 in Sem categoria  •  No comments yet
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Nós, os 90 privilegiados

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hhkhkh A melhor cantora na menor sala. Falta de juizo.

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Que pena. Rosa Passos, nosso rouxinol, melhor cantora do Brasil, top ten do mundo, foi enclausurada numa sala com menos de 100 lugares. E o teatro Paiol vazio.

Faltou ingresso nas três noites da baianinha de voz doce no auditório da Caixa Econômica.

Consegui duas entradas no último minuto e na última fila. O Jaime Lerner também deu sorte. Amigos de gerentes da Caixa idem. Somos felizes. Deu para aplaudir, cantar junto e até chorar um pouquinho ao ver que a homenagem aos 90 anos de Antonio Carlos Jobim ficou linda.

Jazzista de verdade é assim – Rosa recriou em cima de toda aquela inovação do LP original, lançado em 1997. “Chega de Saudade”, o clássico que deu origem à bossa nova, em 1957, não é mais o mesmo. Está mais lindo, com nova divisão, rotas sonoras nunca dantes navegadas.

“Ela canta com volume de bossa nova, divisão de jazz e emoção de MPB. Nenhuma outra cantora é capaz de fazer você se emocionar cantando no volume em que Rosa Passos canta!”, resume o jornalista Ricardo Freire, do O Estado de São Paulo.

É um privilégio ouvir a guitarra de Lula Galvão e o solos de Paulo Paulelli no contrabaixo. Paulelli nasceu em São Paulo. Ficou conhecido por seu trabalho no Trio Corrente. De uma família musical, seu avô Ernesto foi homenageado pelo compositor Adoniran Barbosa, com o “Samba do Arnesto”.

O baterista Celso de Almeida completou o trio. O que ele faz com as vassouras, seus staccatos e legatos representam uma aula magna para qualquer candidato ao instrumento. Se expressa como os melhores do mundo, contido porque o ambiente é de música de câmara, eloquente porque dialoga com uma jazzista fantástica.

O som em um ambiente desses é fundamental. Rosa pediu palmas para o Elton, que há anos garante a amplificação suave, o equilíbrio de sua voz pequena com a guitarra, o baixo e a bateria.

Ganhei a noite, mas fiquei com a sensação de que há alguma coisa errada no ar. Este é o país que mais concentra riqueza e poder nas mãos de poucos. E onde a grande arte tornou-se regalia de quem pode ou de quem tem sorte.

Não quero ser exagerado, mas garanto que colocar Rosa Passos ao alcance de todos os brasileiros é um imperativo democrático.

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Posted on 24th julho 2017 in Sem categoria  •  No comments yet
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O encanto dos lipídios

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gghghg Sem medo de bullying.

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Algumas das moças mais bonitas da cidade estão com excesso de peso. E felizes.

Leio nas revistas semanais que as gordinhas se assumiram. Programas como o da Ana Maria Braga cobrem concursos de beleza plus size. Não fazem apologia da obesidade, mas defendem o direito das adiposas viverem sem bullying, longe dos preconceitos e das mães que carregam fita métrica na bolsa.

Estimulada por alguns anunciantes com culpa no cartória – refrigerantes, chocolates, hamburgers – a midia finalmente descobriu encantos nas plus size.

Nestlé, Coca-Cola e McDonalds saem limpos da história.

A culpa não é do sorvete SemParar sabor chocolate, nem dos biscoitos amanteigados, da Coca gigante, dos BigMac, BigTasty, Cheddar McMelt, ClubHouse, Deluxe Bacon, McNífico Bacon, McDuplos.

A culpa é do pipoqueiro da esquina, que oferece mais bacon e mais coco.

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hhkhkh Mais bacon, a prova do crime.
Posted on 24th julho 2017 in Sem categoria  •  No comments yet