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A escola publica é diferente da escola particular, que não se compara à escola de luxo

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Janela do Colégio Estadual Beatriz Faria Ansay, no Tatuquara. (Foto Tribuna do Paraná)

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No Plural, Rogério Galindo conta que o governador Ratinho Jr. (PSD) matriculou seus três filhos na International School of Curitiba. Renato Feder, o secretário de Estado da Educação, também levou o filho para lá, assim como Guto Silva (PSD), chefe da Casa Civil. Não é barato. Cada estudante representa 7 mil reais de mensalidade, fora outras despesas.

As classes médias estão empobrecidas, mas assim mesmo mandam os filhos para o Santa Maria, Positivo, Bom Jesus. Custa uns 1,5 mil por filho ou o dobro se em período integral.

E os filhos do povo em geral estão em escola pública, onde o ensino é gratuito, mas em compensação as condições de aprendizado estão cada vez piores.

Isso quer dizer que, no futuro, haverá castas no Brasil, os da escola pública preparados para ser mão-de-obra, os da classe média destinados aos vários tipos de gerência e os filhos dos ricos assumindo seu lugar na direção das megaempresas e do país?

Não necessariamente. Sempre existirão indivíduos excepcionais que, mesmo sem muita educação formal, conseguem grandes resultados pessoais. Está aí José Luis Cutrale, o Rei da Laranja, dono de fortuna estimada em 3 bilhões de dólares, que não foi para a universidade, nem completou com grande sucesso o ensino médio. Outro exemplo é Francisco Dias Branco, há pouco falecido, que acumulou fortuna parecida com a de Cutrale atuando no setor de alimentos.

E o superbilionário Joseph Safra, dono do Banco Safra, também falecido há pouco? Era dono de 17,2 bilhões de dólares e jamais se soube de algum diploma universitário em sua vida.

Bill Gates e Mark Zuckerberg tampouco ostentam diploma. Caíram fora de Harvard para fundar, respectivamente, a Microsoft e o Facebook.

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Fica claro que o diploma universitário não é condição essencial para o sucesso. Vale a pena aprofundar um pouco mais esse raciocínio com auxílio de Rousseau. No Discurso Sobre as Origens e os Fundamentos da Desigualdade Entre os Homens, ele delineia o paradoxo segundo o qual “a civilização moderna, ao mesmo tempo que aliena as pessoas de si mesmas, também desenvolve e aprofunda esses indivíduos alienados e lhes dá a capacitação necessária formar um contrato social e criar uma sociedade radicalmente nova”.

Agora mesmo, no meio da pandemia e da crise econômica, assistimos ao nascimento dessas capacidades. Garotos e garotas da periferia têm aulas pelo 4G do celular – e aprendem! Tornam-se fluentes em inglês de tanto ver filme americano sem ler a legenda. São capazes de percorrer todo o site do Museu da Escravidão de Liverpool só para fazer uma live.

É o paradoxo de Rousseau. Quanto mais degradado o ensino, quanto mais injustas as regras do trabalho, mais o oprimido descobre energia positiva para transformar o mundo.

A força possivelmente vem de outro paradoxo, descrito por Thomas More: “Porque ninguém tem nada, todos ficam mais ricos”.

E a dinâmica que vai tornar os sem diploma vencedores talvez esteja em Marx: “Para que uma classe seja classe libertadora par excellence é necessário que outra classe se revele abertamente como a classe opressora”.

 

 

 

 

Posted on 29th janeiro 2021 in Sem categoria  •  No comments yet

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